NOVA ODESSA, 21 DE ABRIL DE 2018
  • DIREÇÃO ESPIRITUAL
Publicação.: 14/04/2011

Vida Comunitária

Vida Comunitária
[...] Cada comunidade é enxertada no coração de Cristo e em seu corpo, que é a Igreja. A comunidade não é a fonte original. Faz parte de algo muito maior: é sinal, revelação e fruto da fonte de vida encarregada de banhar a humanidade, de purificá-la, de curá-la, de dar-lhe vida, liberdade e condições de produzir frutos. Nenhuma comunidade está isolada. Cada comunidade nova se origina de outra. Nasce graças a fé de homens e mulheres que deram a vida a comunidades, de geração em geração, desde que Cristo morreu na cruz. Foi lá que ele exclamou: “Pai, perdoe-os...”. Foi lá que a água brotou de seu Corpo e uniu Maria e João numa aliança de amor.
Uma comunidade que se isola, seca e morre; uma comunidade que vive em comunhão com as outras e com pessoas de prece, recebe e dá a vida. É a Igreja que penetra toda a humanidade para irrigá-la. Essa Igreja vive não apenas nos que acreditam em Cristo, mas em todos aqueles que procuram,, nos séculos que antecederam e precederam sua vinda, guiados pelo Espírito, a luz da verdade universal e no mistério de Deus, o calor da compaixão e da libertação que abre caminho para o perdão. Somos todos unidos em um só corpo, o corpo da humanidade e o corpo de Cristo, desde que o Verbo fez-se carne para ser um de nós.
Somos chamados a ser, juntos, no amor e na compaixão, testemunhas e sinal da água que brota do coração de Deus e convoca toda a humanidade as núpcias eternas do Amor.
Devemos sempre nos lembrar que essa água não brota apenas do Alto e dos lugares iluminados, mas também da terra machucada: das doces fontes da água da vida que brota dos corações machucados dos pobres. Devemos aprender a nos aproximar deles para saciar nossa sede, pois são eles que tornam presente o coração ferido e partido de Jesus, o Crucificado. [...]
[...] Uma comunidade só está em vias de criaçao, quando seus membros aceitarem não fazer grandes coisas, não ser heróis, mas viver cada dia com uma esperança nova, como crianças que olham maravilhadas o nascer do sol e dão graças quando ele se Poe. Uma comunidade só está em vias de criaçao, quando seus membros reconhecer que a grandeza do homem está em aceitar a sua pequenez, sua condição humana, seu terra-a-terra, e dar graças a Deus por ter posto, num corpo limitado, sementes de eternidade, que se manifestam através dos pequenos gestos cotidianos de amor e de perdão. [...]

Fonte: VANIER, Jean. Comunidade: lugar do perdão e da festa. São Paulo: Paulinas, 1995.